“Janelas” é uma palavra que traz uma variedade de significados e de ideias, utilizados por poetas e artistas. As janelas fazem parte do nosso cotidiano e passamos por elas, muitas vezes, sem percebê-las. Apenas sabemos que existem. Tornam-se invisíveis, imperceptíveis e desaparecem no dia a dia, à medida que deixamos de lado nosso olhar de estranhamento, aquele olhar indagador, capaz de perceber seu poder de conexão entre dois mundos, duas realidades sejam físicas ou virtuais. Nos momentos que trocamos o simples “ver” pelo “olhar”, descobrimos sua magia, seus mistérios e suas várias faces. É possível se ter vários olhares a partir de uma mesma janela.
"No caminho entre ruas estreitas, em busca da foto perfeita, começo a reviver pedaços da minha infância. A mesma rua formosa, a igrejinha solitária no alto do morro, a praça cheia de flores silvestres. Algumas crianças humildes brincando de pés no chão na areia molhada. Vejo uma senhora sentada com o olhar perdido, finge cuidar das crianças a sua volta enquanto tenta dormir.
Continuando esta jornada vejo construções não acabadas, pés de laranjeiras, jabuticabeiras. A chuva da noite deixou marcas. Posso ver algumas galhas de árvores quebradas... vizinhos tirando a lama da garagem." -> Por Cecília Couto e NandaDiCássia
A pressa muitas vezes nos atrapalha a ver coisas tão simples que estão ao nosso redor.
Daqui posso observá-la... Daí você também pode... Ilusórias ou reais.
Pode ser uma simples abertura na parede... Pode ser suntuosa obra de arte. De alumínio, madeira, ferro, plasma,virtuais ou até mentais, intelectuais. Aquelas que mostram o presente trazem lembranças ou remetem ao futuro exibindo o campo visual da imaginação. O simples ato de abrir ou fechar pode significar “estar aberto para o mundo” ou “fechado para o mundo”.
Pessoas se olham ou se vêem através delas. De casas, bares, ônibus, trens, carros, de metrôs... Do computador... Ela está conosco ao olhar a rua... a chuva... o céu... a lua, quando sentimos saudades, estamos felizes ou quando estamos tristes e solitários, querendo fugir da realidade. Também esta lá quando a abrimos para deixar o sol entrar, para gritar “eu te amo!”, porque não “eu te odeio!” “estou feliz!” “estou triste...” “volte logo!”. Gritar goool... Dar adeus... Comunicar com o mundo.
Podemos considerá-las olhos, que nos permitem enxergar além do físico, que como molduras nos inspiram à tela. Mostram-nos um mundo novo, experiências únicas.
São elas as “Janelas”...
NandaDiCássia